A Administração Federal de Segurança de Transporte Rodoviário dos EUA (FMCSA) em 2025 voltou a enfatizar um dos requisitos básicos para motoristas de transporte comercial: o conhecimento da língua inglesa. Esta decisão já está impactando as inspeções nas estradas, o trabalho dos transportadores e o transporte transfronteiriço no sul dos EUA.
Vamos entender o que exatamente mudou, quais são as consequências para os motoristas e por que os documentos da FMCSA mencionam separadamente as 'zonas comerciais' fronteiriças.
O requisito de proficiência em inglês para motoristas CDL não é novo — ele está estabelecido nas regras federais há muitos anos. No entanto, na primavera de 2025, a FMCSA emitiu instruções atualizadas para os inspetores, a fim de reforçar a aplicação da norma na prática.
Em 20 de maio de 2025, a agência publicou um guia atualizado para a verificação da Proficiência na Língua Inglesa (ELP). O documento destaca que as inspeções começam em inglês, e a incapacidade do motorista de compreender instruções pode ser considerada um risco para a segurança.
O documento oficial está disponível no site da FMCSA: Updated Internal Agency Enforcement Policy: English Language Proficiency.
A FMCSA descreve um procedimento de avaliação em duas etapas:
- Entrevista com o motorista — o inspetor faz perguntas e avalia a capacidade de responder em inglês.
- Verificação da compreensão de sinais de trânsito — o motorista deve reconhecer mensagens padrão e eletrônicas na estrada.
Importante: a FMCSA observa separadamente que tradutores, cartões de dicas e aplicativos de tradução não devem ser usados durante a entrevista, pois podem ocultar a real incapacidade de se comunicar em inglês.
O guia afirma que os inspetores devem registrar evidências de violação e, se necessário, tomar medidas até a suspensão do movimento.
O próximo passo crucial é a inclusão de violações de ELP nos critérios de Out-of-Service.
A aliança comercial CVSA anunciou que, a partir de 25 de junho de 2025, a não conformidade com o requisito de inglês se torna motivo para proibição imediata de continuar o movimento.
Na declaração oficial da CVSA, destaca-se a data de entrada em vigor e a conexão com o memorando da FMCSA: CVSA Adds English Language Proficiency to Out-of-Service Criteria.
Isso significa que um motorista que não passar na verificação pode ser parado durante uma inspeção na estrada.
Um dos detalhes mais discutidos é a exceção para as chamadas border commercial zones ao longo da fronteira EUA-México.
A FMCSA indica que nessas zonas os inspetores podem emitir uma violação, mas não devem aplicar automaticamente medidas de Out-of-Service ou iniciar um procedimento de desqualificação.
Em outras palavras, nas zonas comerciais fronteiriças, um regime mais brando de aplicação de sanções está em vigor, o que de fato gerou o termo 'zonas seguras' na mídia.
A FMCSA explica o que é uma 'commercial zone' nos programas internacionais da agência: What is a commercial zone?.
O reforço do controle ELP cria riscos operacionais reais:
- motoristas podem ser parados sem a possibilidade de 'corrigir' rapidamente a situação no local
- transportadores recebem obrigações adicionais de conformidade
- o transporte transfronteiriço torna-se um tema sensível, especialmente nos estados do sul
Para as empresas, isso é um sinal: o treinamento e a verificação das habilidades de comunicação dos motoristas deixam de ser uma formalidade e se tornam uma questão de permissão para trabalhar.
Em 2025, a FMCSA efetivamente retorna à prática rigorosa de aplicação dos requisitos de inglês. Desde maio, o guia atualizado para inspetores está em vigor, e a partir de junho, a violação de ELP pode levar à proibição imediata de movimento.
No entanto, as zonas comerciais fronteiriças permanecem um caso especial, onde as sanções são aplicadas de forma diferente — e isso já está impactando o mercado de transporte entre os EUA e o México.
Nos próximos meses, os transportadores devem esperar um maior número de inspeções e um reforço no controle do cumprimento dos requisitos 49 CFR §391.11(b)(2), especialmente fora das 'zonas comerciais' na fronteira.

