Em Ohio, continua um caso criminal de grande repercussão, importante também para transportadoras: dois agentes da lei, que trabalhavam em forças-tarefa federais, são acusados de detenção ilegal e uso de força contra um motorista de caminhão que estava legalmente no país e possuía documentos válidos. O incidente não ocorreu na estrada nem em um posto de pesagem, mas as consequências para o setor são claras: qualquer interrupção de viagem devido a uma "verificação" ou detenção injustificada se transforma instantaneamente em atrasos, riscos de HOS e conflito com o cliente.
O caso refere-se a eventos de 26 de abril de 2024 em Hinckley Township (condado de Medina, nordeste de Ohio) no bar Buzzard’s Roost. De acordo com as investigações e relatos da mídia regional, dois oficiais estavam fora de serviço e consumindo álcool. Eles suspeitaram de um visitante — um motorista de caminhão com documentos do Texas — de estar ilegalmente nos EUA e iniciaram uma "detenção autônoma", que terminou com a contenção física no chão até a chegada da polícia local.
Nas comunicações públicas sobre o caso, é enfatizado: os envolvidos não eram "agentes especiais" de agências federais, mas funcionários locais, incluídos (deputized) em forças-tarefa federais.
Um dos acusados é Daniel LaJack, associado ao trabalho na Lake County Narcotics Agency e participação em um grupo que interagia com a DEA. O outro é o detetive Donald Kopchak, funcionário da Cleveland Division of Police, designado para uma força-tarefa associada ao ATF.
Esse detalhe é importante para transportadoras não como uma sutileza jurídica, mas como uma prática: no local, motoristas e despachantes frequentemente ouvem de pessoas com identificação "somos federais". Na realidade, a composição das competências e responsabilidades pode ser distribuída de forma diferente, e "fora de serviço" e "após o consumo de álcool" criam zonas cinzentas adicionais — é precisamente em torno disso que a acusação é construída.
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O quadro geral é o seguinte: o motorista do caminhão (nome não divulgado publicamente) estava no estabelecimento, após o que dois oficiais o levaram para fora. Segundo a acusação, eles o mantiveram à força e o pressionaram no chão até a chegada da polícia local. Relatos mencionam que os oficiais alegaram seu status "ilegal" e até mesmo sua suposta presença em "listas de terroristas".
Uma camada separada são os materiais das câmeras corporais (bodycam) dos policiais que chegaram. Nos relatos da mídia, baseados nessas gravações, há descontentamento direto com as ações dos colegas "federais" e ênfase no fato de que os participantes haviam consumido álcool antes. Para o setor, isso é, essencialmente, uma ilustração do cenário mais desagradável: um motorista com documentos válidos se envolve em um conflito que se desenvolve não por meio de um procedimento formal, mas por meio de uma escalada.
O motorista é descrito como um imigrante legal da África Oriental, vivendo nos EUA há cerca de 14 anos. Em diferentes publicações, aparecem diferentes formulações: em alguns lugares, ele é chamado de eritreu (Eritrean descent), em outros — refugiado da Etiópia. Essas versões não são necessariamente excludentes, mas o fato de haver divergências é, por si só, indicativo: em histórias como essa, a origem da pessoa frequentemente se torna parte da narrativa antes mesmo que os fatos básicos sejam confirmados.
O ponto chave para o mercado de transporte é outro: de acordo com redações regionais, o motorista possuía uma CDL do Texas válida (em alguns relatos aparece a formulação "Texas ID", mas mais frequentemente — licença comercial). Isso significa que não se trata de uma disputa sobre "quem ele é e de onde vem", mas de uma situação em que um motorista com licença e status válidos foi efetivamente retirado da viagem devido a uma "identificação de ilegal" errônea (ou tendenciosa).
Ambos os envolvidos enfrentam acusações graves no nível do estado de Ohio: dois episódios de sequestro qualificado (felony abduction), um episódio de intimidação étnica (felony ethnic intimidation) e agressão (misdemeanor assault). Essas formulações são repetidas em várias fontes independentes.
É enfatizado separadamente que a promotoria do condado de Medina tentou anteriormente iniciar uma avaliação legal federal, incluindo possíveis violações de direitos civis, mas o nível federal, segundo relatos da mídia, não assumiu o caso para perseguição, após o que as acusações foram através de um grande júri local.
As consequências de pessoal começaram muito antes do julgamento. Kopchak foi limitado em suas funções de serviço e retirado da participação na força-tarefa do ATF após o incidente; após as acusações, o departamento de polícia de Cleveland o transferiu para licença administrativa não remunerada. Essa linha é confirmada pela posição oficial do departamento em uma publicação em seu site: Cleveland Division of Police informou sobre a transferência do detetive Donald Kopchak para licença administrativa não remunerada após notificação da acusação.
Sobre LaJack, foram registrados relatos públicos de demissão/renúncia da Lake County Narcotics Agency (no final de 2024). No entanto, há divergências em torno do cronograma judicial no início de 2026. Em algumas publicações, afirma-se que ele se declarou culpado de todas as acusações e renunciou ao julgamento, em outras — que na audiência era esperada uma mudança de posição (change of plea), e para o segundo envolvido a defesa buscava o adiamento das audiências. As redações regionais na data das audiências em fevereiro de 2026 escreviam justamente na lógica de "espera-se" e "foi solicitado o prosseguimento", sem ponto final sobre a sentença e datas.
Um dos relatos mais completos da cronologia do caso e dos status dos envolvidos foi publicado em um meio de comunicação do setor: CDL Life descreve as acusações, o episódio de contenção do motorista e os eventos processuais subsequentes.




