Em Green River (Wyoming), o motorista de caminhão Vaja Gelashvili foi detido pelo serviço de imigração após chamar a polícia no estacionamento Love’s Travel Stop na I‑80, tentando resolver um dano no espelho lateral. O incidente, segundo a mídia local e do setor, ocorreu na primeira semana de fevereiro e rapidamente ultrapassou os limites de uma investigação comum de "hit-and-run" em estacionamento: a verificação de documentos passou a aplicar a nova lei de Wyoming que invalida algumas carteiras de motorista emitidas em outros estados se o motorista não puder comprovar residência legal nos EUA.
Detalhes do caso e a posição das autoridades locais foram relatados em detalhes pelo Cowboy State Daily. A história é ilustrativa por várias razões: aborda a prática de verificações de "non-domiciled CDL", divergências entre regras federais de CDL e exigências estaduais para comprovação de presença legal, além dos riscos operacionais para transportadoras quando o contato inicial com a polícia não está relacionado a violações de trânsito ou inspeções em balanças.
De acordo com a cronologia apresentada, Gelashvili estacionou o caminhão no Love’s e foi tomar banho. Ao retornar, encontrou o espelho lateral danificado. Sendo um cenário típico de paradas de caminhões — atingido e fugido — o motorista pediu aos funcionários para verificar as câmeras. Eles responderam que o acesso às gravações só seria possível com a participação da polícia, então ele mesmo ligou para as autoridades.
A situação então se desenrolou em torno do status dos documentos. O oficial que chegou ao local examinou a carteira comercial do motorista — as publicações mencionam uma CDL de Nova Jersey com a marcação non-domiciled. Como resultado, segundo os materiais, o policial concluiu que os documentos eram insuficientes para comprovar residência legal nos EUA conforme a lei vigente de Wyoming. Gelashvili foi detido e, em seguida, o serviço federal de imigração foi contatado para emitir um "immigration hold". Posteriormente, o motorista foi colocado sob custódia do ICE; também foi relatado que seu pedido de liberação foi negado já no nível do DHS.
É importante notar que o motivo inicial para chamar a polícia não estava relacionado a dirigir sob influência, acidente de trânsito, violações de horas de serviço ou inspeção do DOT. Foi um pedido de ajuda para investigar danos à propriedade.
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Paralelamente à parte legal dos documentos, permaneceu a linha "doméstica" original — quem quebrou o espelho e se é possível encontrar o culpado. Segundo Jason Mauer, representante do escritório do xerife do condado de Sweetwater, citado pelo Cowboy State Daily, a investigação tem poucas pistas: o veículo suspeito partiu antes que o motorista notasse o dano, e a câmera do caminhão não estava funcionando no momento do incidente. O caso de dano, segundo esta informação, formalmente permanecia aberto, mas as perspectivas de identificar o culpado pareciam fracas.
Para a transportadora, este é o tipo mais desagradável de situação: o evento começa como um pequeno dano (substituição do espelho e, possivelmente, do suporte), mas termina com o risco de perder o motorista e incerteza sobre a localização e disponibilidade do caminhão/reboque. As publicações mencionaram que até mesmo a questão de onde o caminhão estava acabou não sendo completamente esclarecida em algum momento.
Nos relatos da história em publicações do setor, foi mencionada a formulação de que "non-domiciled CDL não é válido em Wyoming". Dessa forma, simplifica-se a verdadeira encruzilhada. Non-domiciled CDL é uma categoria de carteira comercial reconhecida a nível federal, que os estados podem emitir ao cumprir os requisitos (incluindo a marcação correspondente no documento). Na prática, a disputa em casos semelhantes geralmente não se resume a "é válido/não é válido" a marcação non-domiciled, mas sim que o estado concede aos oficiais o poder de interpretar a ausência de comprovação de presença legal como base para considerar a carteira apresentada insuficiente.
Foi exatamente assim, segundo a descrição do Cowboy State Daily, que a posição das autoridades parecia: o motorista apresentou uma CDL de Nova Jersey, mas não forneceu documentos comprovando residência legal, após o que foi detido "pela nova lei". Ou seja, o fator chave não é o reconhecimento interestadual da CDL como tal, mas a ligação ao status de imigração e ao conjunto de documentos que o motorista pode apresentar no local.
A base legal em que as autoridades se apoiaram não surgiu em fevereiro de 2026. Em Wyoming, desde 1º de julho de 2025, vigora uma lei que torna insuficiente uma carteira "aparentemente válida" de outro estado, se for emitida para uma pessoa que Wyoming qualifica como "alienígena não autorizado", e na ausência de comprovação de presença legal. Em 2025, a discussão girou em torno do fato de que vários estados emitem carteiras de motorista comuns independentemente do status de imigração, e Wyoming tentou fechar esse "corredor" em seu território.
Para a indústria, o lado prático é importante: em 2025, quando a lei foi discutida, houve avaliações de que o impacto direto no mercado de transporte de cargas poderia ser limitado, porque obter uma CDL geralmente requer verificação de status e procedimentos mais rigorosos. Mas o caso Gelashvili mostra que os detentores de carteiras comerciais também estão em risco — especialmente se for um documento non-domiciled e um estado emissor que está sob maior atenção dos reguladores em outra esfera federal.
O contexto é ainda mais complicado pelo fato de que Nova Jersey foi mencionada repetidamente nos últimos anos em discussões sobre a qualidade da administração de non-domiciled CDL em meio a verificações e requisitos de conformidade por parte das autoridades federais.




