O diretor-geral do Serviço Postal, David Steiner, alertou o Congresso que a agência está ficando sem dinheiro e, sem ação dos legisladores, o USPS pode enfrentar uma situação em que, dentro de 12 meses, não conseguirá pagar contas e cumprir obrigações. Isso é mencionado no material da ABC News, publicado antes das audiências na Câmara dos Representantes.
A principal exigência de Steiner é remover ou aumentar o limite legal de empréstimos do USPS para $15 bilhões. Este teto está em vigor desde 1990 e, na avaliação do diretor, não corresponde mais à escala das obrigações e fluxos de caixa do serviço. Na exposição da ABC, ele vinculou diretamente a sustentabilidade financeira à capacidade de tomar empréstimos do Tesouro e à forma como a política tarifária é regulada: segundo ele, "se" a Comissão Reguladora Postal (PRC) adotasse o modelo de precificação proposto pelo USPS, isso "resolveria" o problema. Ao mesmo tempo, Steiner insiste na revisão das exigências normativas e regulatórias que, segundo ele, impedem a agência de pelo menos alcançar o equilíbrio financeiro enquanto mantém a obrigação de entregar correspondências e pacotes em todo o país.
O alerta foi dado em meio a mais um ano de prejuízo. A ABC relata que, no final do ano fiscal de 2025, o prejuízo líquido do USPS foi de $9 bilhões — menos que os $9,5 bilhões do ano anterior, mas ainda em um nível que corrói a liquidez. No mesmo material, é apresentada a avaliação de Steiner de que, nos últimos 15 anos, "evaporaram" $86 bilhões de receita do USPS — uma formulação que reflete não um fracasso isolado, mas o efeito acumulado da mudança na demanda por serviços postais tradicionais.
A pressão sobre as finanças, segundo Steiner, está principalmente ligada a uma mudança estrutural: a queda acentuada no volume de cartas enquanto se mantém as obrigações de serviço universal. De acordo com a ABC, o número total de envios postais caiu pela metade em duas décadas: de cerca de 220 bilhões de unidades para cerca de 110 bilhões. Isso está de acordo com a tese de que manter uma rede extensa com um volume "escrito" em queda está se tornando cada vez mais caro, e cobrir a lacuna apenas com pacotes é difícil devido à economia mais competitiva do segmento de encomendas e aos custos da "última milha".
Um bloco separado de reclamações de Steiner é dirigido ao regulador de tarifas. A publicação da ABC enfatiza que a direção do USPS considera a PRC um fator que efetivamente limita a capacidade de aumentar os preços e, assim, fechar a lacuna entre receita e custo. Na prática, a disputa gira em torno de quão flexivelmente o USPS pode revisar as tarifas dos principais serviços e quão rapidamente isso pode ser feito, sem violar as regras estabelecidas e os limites de "acessibilidade" para a população e empresas.
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Na discussão sobre a base de receita, Steiner também levanta a questão do custo do selo. De acordo com a ABC, atualmente o selo básico custa 78 centavos, e o chefe do USPS falou sobre aumentar para 95 centavos. Ele usa essa tese como uma ilustração da escolha que, segundo ele, está diante dos legisladores: ou permitir um aumento mais significativo nos preços dos serviços, ou fornecer apoio externo (direto ou indireto), ou mudar as regras para que a agência possa "respirar" como uma organização comercial com obrigações governamentais.
Os legisladores, por sua vez, já indicaram que não haverá aprovação automática para a expansão da dívida. O Comitê de Supervisão e Reforma Governamental da Câmara dos Representantes anunciou audiências para 17 de março com o título "Oversight of the U.S. Postal Service: The Financial Future Under Postmaster General Steiner". No comunicado do comitê, afirma-se que a tarefa é considerar a situação financeira e avaliar se "o USPS é suficientemente confiável para que o Congresso permita que ele tome mais dinheiro emprestado do Departamento do Tesouro". É assim que a agenda é formulada no comunicado de imprensa publicado no site do comitê: oversight.house.gov.
O contexto em torno de Steiner adiciona atenção dos mercados de entrega e logística contratual a essas audiências. A ABC lembra que ele assumiu o cargo no verão passado, anteriormente liderou uma empresa no setor de gestão de resíduos e fez parte do conselho de administração da FedEx. Para alguns legisladores e participantes do mercado, isso significa que o diretor vem com experiência em setores de serviços competitivos e pode estar inclinado a abordagens "comerciais" mais rígidas em relação a custos e tarifas, mas ao mesmo tempo enfrenta limitações estabelecidas na lei e através da PRC.
Para os operadores de transporte terrestre e contratantes do USPS, a notícia é importante não pelo subtexto político, mas pela probabilidade de falhas na disciplina de pagamentos e compras em caso de deterioração da liquidez. No material da ABC, é formulado de forma bastante direta: se o dinheiro acabar, o USPS pode se encontrar em uma posição em que terá que escolher quais obrigações cumprir primeiro — pagamento de salários, liquidação com fornecedores, serviço da dívida, manutenção de contratos de transporte. A base contratual do USPS inclui uma ampla gama de fornecedores — desde transportes de longa distância e linhas "trailer" entre centros de triagem até rotas locais e serviços de processamento e entrega, e qualquer compressão do fluxo de caixa rapidamente se transforma em revisão de condições e cronogramas de pagamentos.
Ao mesmo tempo, o próprio Steiner, na exposição da ABC, posiciona a situação como resolvível com a mudança dos parâmetros de financiamento e regulamentação: expansão do limite de empréstimos, reformulação das abordagens tarifárias e atualização das regras que, na opinião da direção, obrigam o USPS a atuar como uma agência com mandato governamental, mas sem ferramentas suficientes para cobrir os custos. As audiências do Congresso em 17 de março, a julgar pelas formulações do comitê, serão construídas em torno da questão da confiança na gestão financeira do USPS e da justificativa do pedido de acesso a um maior volume de empréstimos do Tesouro, bem como em torno do motivo pelo qual o modelo atual, com volumes de cartas em queda, continua a gerar bilhões de dólares em prejuízos.
Paralelamente a essa disputa, permanece em aberto a questão mais ampla de como exatamente deve ser paga a entrega universal em meio à contínua queda da demanda postal tradicional. Na versão dos eventos apresentada pela ABC, Steiner basicamente reduz a escolha a três direções: ou cortar o serviço, ou aumentar os preços/fornecer financiamento externo, ou mudar as estruturas regulatórias para que o USPS possa ajustar a economia dos serviços de forma mais rápida e flexível à demanda real.




